Em homens obesos com mais de 45 anos, A incidência de hipogonadismo pode atingir 40%

Em homens obesos
com mais de 45 anos,
A incidência de hipogonadismo
pode atingir 40%1

1. Dhindsa S, Miller MG, Mcwhirter CL et al. Testosterone concentrations in diabetic and nondiabetic obese men. Diabetes Care 2010 Jun; 33(6):1186-92.

Níveis de testosterona, terapia de reposição com testosterona e mortalidade por todas as causas em homens com diabetes tipo 2

Dezembro de 2016

Testosterona sérica, terapia de reposição de testosterona e mortalidade por todas as causas em homens que com diabetes tipo 2: avaliação retrospectiva do impacto dos inibidores de PDE5 e estatinas.

Serum testosterone, testosterone replacement therapy and all-cause mortality in men with type 2 diabetes: retrospective consideration of the impact of PDE5 inhibitors and statins.
Hackett G, Heald AH, Sinclair A, Jones PW, Strange RC, Ramachandran S. Int. J. Clin. Pract. 2016;70(3):244-253.

A prevalência da deficiência de testosterona é maior em homens com diabetes tipo 2 do que em homens não diabéticos1 - 6, além de estar associada ao aumento da mortalidade.7, 8

Homens com diabetes tipo 2 frequentemente apresentam dislipidemia9 e disfunção erétil10, 11 e, assim, medicações concomitantes são amplamente utilizadas nestes pacientes

Aqui apresentamos os resultados de um estudo de Hackett et al., que investigaram o impacto dos níveis de testosterona e da terapia de reposição na mortalidade e avaliaram se esta foi afetada pelo uso concomitante de estatina e inibidores de PDE5 (IPDE5).12

Figura 1: Taxa de Mortalidade em Homens Hipogonádicos com Diabetes Tipo 2 Tratados com Testosterona vs. Não Tratados. Dados tendo como base homens não tratados com IPDE5.

Taxa de Mortalidade em Homens Hipogonádicos com Diabetes Tipo 2 Tratados com Testosterona vs. Não Tratados

Mortality in Testosterone Treated vs. Untreated Hypogonadal Men with T2DM, compared to Eugonadal Men = Mortalidade em homens hipogonádicos com diabetes mellitus tipo 2 tratados com testosterona versus não tratados, em comparação a homens eugonádicos
Low-T untreated (309 patients) = pacientes com T* baixa / não tratados (309 pacientes)
Low-T treated (110 patients) = pacientes com T baixa / tratados (110 pacientes)
Normal-T (263 patients) = pacientes com T normal (263 pacientes)
Mortality = Mortalidade
*testosterona

Pontos Principais

  • A mortalidade é mais elevada em homens não tratados com testosterona ou IPDE5.
  • Homens eugonádicos ou em terapia de reposição com testosterona apresentam redução de 38% e 62% do risco de mortalidade, respectivamente, em comparação a homens hipogonádicos não tratados com testosterona.
  • O uso de IPDE5 reduz as taxas de mortalidade em um maior grau em homens eugonádicos e homens hipogonádicos sem terapia com testosterona, em comparação a homens tratados com testosterona.
  • O uso de estatina não está significativamente associado à mortalidade.
  • As taxas de mortalidade nos grupos de pacientes hipogonádicos não tratados, testosterona normal e hipogonádicos tratados foram de 19,74%, 13,31% e 3,64%, respectivamente.

O que se sabe

É bem documentado que a deficiência de testosterona está associada à doença cardiovascular13 e aumento do risco de mortalidade.7, 8 Os baixos níveis de testosterona também estão associados ao número e à gravidade de componentes da síndrome metabólica, podendo prever o início do diabetes até mesmo em homens mais jovens.14 De acordo com estes fatos, entre homens com diabetes tipo 2, os baixos níveis de testosterona livre estão associados à aterosclerose carotídea (avaliada pela espessura dascamadas íntima e média das carótidas e escore de placas)15. Homens diabéticos com baixos níveis de testosterona apresentam taxa de mortalidade quase 2 vezes maior em comparação a daqueles com níveis normais de testosterona, 17,2% vs. 9%, respectivamente.16

A deficiência de testosterona é mais comum em homens com comorbidades, como diabetes. A prevalência de deficiência de testosterona em estudos de tratamento primário/screening varia de 19,3% 17 a 38,7% 18. Em outros estudos, a deficiência de testosterona afeta de 43 a 50% dos homens diabéticos.5, 6 A prevalência de níveis reduzidos de testosterona livre (calculada) em homens diabéticos é ainda mais elevada, próxima a 60%.5

Em homens hipogonádicos com diabetes tipo 2 ou síndrome metabólica, a terapia de reposição com testosterona apresenta efeitos benéficos nos parâmetros de obesidade (peso corporal, circunferência abdominal e IMC) e parâmetros metabólicos, como a relação colesterol total: HDL, níveis de insulina, resistência à insulina e PCR (proteína C reativa).19 - 22

Apesar de melhora nos fatores de risco estabelecidos embasarem a eficácia de um tratamento, a prova mais valiosa são os desfechos clínicos brutos, como eventos cardíacos e mortalidade. Atualmente, apenas dois estudos intervencionais, um em homens com diabetes tipo 2, investigaram o efeito da terapia de reposição com testosterona na mortalidade.16, 23 Ambos os estudos demonstraram que esta terapia reduziu a mortalidade pela metade.16, 23 Especificamente, a mortalidade em homens diabéticos que receberam tratamento com testosterona por uma duração média de 42 meses foi de 8,4%, em comparação a 19,2% no grupo não tratado (p=0,002).16 Entretanto, estes estudos não examinaram o possível impacto do tratamento concomitante com estatinas ou IPDE5s.

O que este estudo acrescenta

O estudo de Hackett et al. amplia os dados de literatura disponíveis pois avalia a associação entre a mortalidade e níveis de testosterona em homens com diabetes tipo 2, além do impacto do uso concomitante de estatina ou IPDE5 nos resultados do tratamento.

Entre os anos de 2007 a 2009, 857 homens com diabetes tipo 2, de 58 a 65 anos de idade, foram triados de cinco ambulatórios de atendimento básico. Do total de pacientes incluídos, 175 de 637 homens com níveis de testosterona total ≤ 12 nmol/L (346 ng/dL) ou testosterona livre ≤ 0,25 nmol/L receberam tratamento com undecilato de testosterona injetável por uma duração média de 3,8 anos. IPDE5 e estatinas foram prescritos a 175 de 857 e 662 de 857 homens, respectivamente.

Em 2014, após um acompanhamento médio de 4 anos, os dados demográficos, de tratamento concomitante (estatina e IPDE5) e mortalidade, eventos adversos cardíacos graves e eventos relacionados à próstata foram coletados da última visita de acompanhamento.

Eventos Adversos e Risco de Mortalidade

O estudo não encontrou diferenças na taxa de eventos adversos cardíacos graves e eventos relacionados à próstata entre os grupos.

O risco de mortalidade foi mais elevado em homens que não estavam em tratamento com testosterona ou IPDE5. Quando a análise foi ajustada para a idade na visita inicial, homens nos grupos de testosterona (T) normal e T baixa/tratado apresentaram redução de 38% e 62% no risco de mortalidade, em comparação ao grupo de T baixa/não tratado.

Entre os 682 homens não tratados com IPDE5, a mortalidade nos grupos de T normal e T baixa/tratados foi significativamente menor, de 38% e 67%, respectivamente, comparado ao grupo de T baixa / não tratado.

O tratamento com estatina não foi associado significativamente à mortalidade em nenhuma análise. Pressão arterial, IMC e perfil lipídico também não foram significativamente associados à mortalidade.

Entre homens com T baixa / não tratados com testosterona, o uso de IPDE5 foi associado a uma redução de 94% do risco de mortalidade e o tratamento com estatina aparentemente tem efeito protetor. Em contraste, o tratamento com IPDE5 não foi associado à redução de mortalidade nos 175 pacientes que estavam em terapia com testosterona.

Mortalidade

Houve 103 mortes durante o período de estudo, principalmente devido a causas cardiovasculares, respiratórias e neoplásicas. Houve diferenças importantes na mortalidade nos grupos tratados. O uso de IPDE5 reduziu as taxas de mortalidade principalmente nos grupos T normal e T baixa/não tratado, em comparação ao grupo de T baixa/tratado. As taxas de mortalidade foram de 19,74%, 13,31% e 3,64% nos grupos de T baixa/não tratado, T normal e T baixa/tratado, respectivamente, conforme ilustrado na figura 1.

Este estudo concluiu que a terapia de reposição com testosterona é inversamente associada à mortalidade em homens com diabetes tipo 2 e que o uso de IPDE5 foi associado à redução da mortalidade em todos os pacientes, sugerindo um efeito protetor independente.

Comentários

Este é o primeiro estudo que avaliou o efeito da terapia de reposição com testosterona e uso de IPDE5 e estatina. De acordo com o resultado deste estudo, a terapia de reposição com testosterona e IPDE5 está associada à redução na mortalidade em homens com diabetes tipo 2, em tratamento com estatinas ou não.

Este estudo confirma achados anteriores de que a terapia de reposição com testosterona está associada à redução na mortalidade,16, 23 demonstrando que esta foi mais elevada em homens que não recebiam a terapia de reposição.12

Referências

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  3. Dhindsa S, Prabhakar S, Sethi M, Bandyopadhyay A, Chaudhuri A, Dandona P. Frequent occurrence of hypogonadotropic hypogonadism in type 2 diabetes. J. Clin. Endocrinol. Metab. 2004;89(11):5462-5468.
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Saiba mais em

Diagnóstico

Os sintomas de hipogonadismo podem variar de acordo com a pessoa.

Terapia

A terapia de reposição de testosterona é caracterizada por uma larga margem de segurança e boa tolerabilidade.

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