Em homens obesos com mais de 45 anos, A incidência de hipogonadismo pode atingir 40%

Em homens obesos
com mais de 45 anos,
A incidência de hipogonadismo
pode atingir 40%1

1. Dhindsa S, Miller MG, Mcwhirter CL et al. Testosterone concentrations in diabetic and nondiabetic obese men. Diabetes Care 2010 Jun; 33(6):1186-92.

MELHORA DA FUNÇÃO DA CÉLULA BETA EM HOMENS HIPOGONÁDICOS APÓS TRATAMENTO COM UNDECILATO DE TESTOSTERONA

Setembro de 2018

ESTUDO: Dimitriadis GK, Randeva HS, Aftab S, et al. Metabolic phenotype of male obesity-related secondary hypogonadism pre-replacement and post-replacement therapy with intra-muscular testosterone undecanoate therapy. Endocrine. 2018. Feb 2.

Está bem documentado que o excesso de gordura corporal suprime o eixo hipotálamo-hipófise-gonadal (HPG do termo em inglês hypothalamic-pituitary-gonadal), o que pode levar à redução da produção endógena de testosterona. 1-3 Um mecanismo que contribui para a supressão do eixo HPG é o estradiol circulante elevado, causado pela aromatização da testosterona nos adipócitos.2,3 Além disso, a resistência à insulina - uma característica da obesidade 4 - está associada à redução da secreção de testosterona nas células de Leydig5. A obesidade em homens está associada com uma queda nos níveis de testosterona comparada ao envelhecimento de 10 anos.

No presente documento apresentamos os resultados de um estudo que avaliou os efeitos do tratamento com injeções de undecilato de testosterona no controle glicêmico, função da célula beta e na composição corporal. 6

Pontos Principais

  • O tratamento com injeções de undecilato de testosterona por até 29 meses (média de 15 meses) resultou em melhora significativa da HbA1c (9 mmol / mol, p = 0,03) e uma melhora de 52% na função das células beta, como demonstrado pelo aumento da secreção de insulina (avaliado por HOMA B).
  • Houve uma redução significativa de 3,5 kg na massa gorda e aumento de 2,9 kg na massa corporal magra e uma tendência para aumento da taxa metabólica basal (BMR).
  • O efeito insulinotrópico da testosterona relatado neste estudo é especialmente interessante considerando que existe uma deterioração progressiva da função das células beta no diabetes tipo 2.

O que se sabe sobre o hipogonadismo relacionado à obesidade

A prevalência de deficiência de testosterona em homens obesos pode atingir 79%.7,8 Com as tendências demográficas de aumento da longevidade e da crescente prevalência de obesidade e diabetes tipo 2, é provável que a deficiência de testosterona relacionada à obesidade se torne ainda mais prevalente. As características clínicas da deficiência de testosterona relacionada à obesidade incluem disfunção sexual (disfunção erétil e baixa libido), osteopenia e osteoporose, redução na sensação de bem-estar, fadiga, distúrbios de humor e concentração, sarcopenia, aumento da massa gorda e dislipidemia. 3

Um crescente número de evidências mostra que a terapia com testosterona melhora a sensibilidade à insulina. 9 Um estudo controlado com placebo demonstrou que a terapia de testosterona melhora a sensibilidade à insulina em homens com diabetes tipo 2 utilizando o método de clamp hiperinsulinêmico euglicêmico.10 Outros estudos controlados demonstram que a terapia de testosterona reduz a resistência à insulina (como demonstrado pelo HOMA IR reduzido) e melhora o controle glicêmico (redução da HbA1c e glicemia em jejum) em homens hipogonádicos com diabetes tipo 2. 11,12

Essas observações foram corroboradas por estudos em animais que apresentaram efeitos benéficos do tratamento com testosterona em componentes da absorção de glicose. 13 Dados in vitro sobre os efeitos da testosterona nos adipócitos subcutâneos humanos mostram aumento da expressão do transportador de glicose tipo 4 (GLUT4) e proteína quinase B (Akt), o que, por sua vez, deve aumentar a absorção de glicose e a sensibilidade à insulina.10

O estudo TIMES 2 não demonstrou alterações no HOMA B após a terapia com testosterona por 12 meses. 12 Em homens normoglicêmicos com idades entre 18-54 (média de 28) anos, os níveis endógenos de testosterona apresentaram correlação negativa com a secreção das células β (peptídeo C). 14

O que este estudo acrescenta

O principal desfecho deste estudo foi a alteração da HbA1c em homens hipogonádicos obesos após o tratamento com undecilato de testosterona intramuscular. Os desfechos secundários foram alterações nas medidas de sensibilidade à insulina e função de células beta, perfil metabólico, gordura corporal e massa magra e perfil lipídico em jejum.

13 homens hipogonádicos obesos, 7 dos quais tinham diabetes tipo 2, foram tratados com injeções de undecilato de testosterona por 6 a 29 meses. Como esperado, houve uma melhora significativa nos níveis séricos de testosterona: testosterona média sérica de 6,7 nmol / L para 15,2 nmol / L).Houve também melhora significativa na composição corporal, com redução na massa gorda de 3,5 kg e aumento da massa magra de 2,9 kg, conforme ilustrado pela figura 1. A porcentagem de gordura corporal foi reduzida em 2,8%.

A HbA1c apresentou melhora significativa de 7,3 para 6,5% (56 a 47 mmol / mol). Embora houvesse uma tendência para a redução da resistência à insulina (HOMA IR de 5,5 para 4,5), essa diferença não alcançou significância estatística. No entanto, houve uma melhora significativa na função das células beta (HOMA B médio apresentou melhora de 52%), apesar de apenas reduções não significativas nos níveis de glicemia e insulina em jejum.

Embora tenha havido um aumento numérico na taxa metabólica basal (BMR), a diferença não foi estatisticamente significante. Não houve alterações nos parâmetros lipídicos. Houve um pequeno aumento no PSA de 0,8 para 1,1 ng / mL, que permaneceu dentro da faixa normal em todos os homens observados.

Alterações na composição corporal


Figura 2. Alterações na função da célula beta após o tratamento com undecilato de testosterona por pelo menos 6 meses.


Alterações na função da célula

Comentário

Este é o primeiro estudo que demonstra que o tratamento com testosterona melhorou a função das células beta, avaliada pelo HOMA B.6 Pesquisas experimentais demostram que a testosterona é importante para a secreção de insulina em homens. 15 A testosterona parece aumentar a secreção de insulina estimulada pela glicose de maneira semelhante ao GLP-1. 16 As ilhotas pancreáticas deficientes em receptores de andrógenos exibem expressão alterada dos genes envolvidos na inflamação e secreção de insulina, demonstrando a importância da ação dos andrógenos na saúde das células β no homem, com implicações para o desenvolvimento de diabetes tipo 2 em homens. 17

A melhora na composição corporal observada neste estudo - redução na massa gorda e aumento na massa corporal magra - são alguns dos efeitos bem documentados do tratamento com testosterona. Um número crescente de estudos também demonstraram melhora na HbA1c, 11,18-20 que foi confirmado no presente estudo.

Uma limitação importante deste estudo é a pequeno número de homens em acompanhamento. Isto limita o poder deste estudo em encontrar diferença estatística em alguns parâmetros avaliados, como por exemplo, o perfil lipídico.

Outra limitação é a duração relativamente curta da terapia com undecilato de testosterona.

No entanto, o efeito insulinotrópico da testosterona neste estudo é especialmente interessante considerando que existe uma deterioração progressiva da função das células beta no diabetes tipo 2. 21 A função das ilhotas pancreáticas é cerca de 50% do normal no momento do diagnóstico de diabetes tipo 2. 21

PP-NEB-BRA-0032-1

Referências

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  3. Saboor Aftab SA, Kumar S, Barber TM. The role of obesity and type 2 diabetes mellitus in the development of male obesity-associated secondary hypogonadism. Clin Endocrinol (Oxf). 2013;78(3):330-337.
  4. Barazzoni R, Gortan Cappellari G, Ragni M, Nisoli E. Insulin resistance in obesity: an overview of fundamental alterations. Eating and weight disorders : EWD. 2018.
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  6. Dimitriadis GK, Randeva HS, Aftab S, et al. Metabolic phenotype of male obesity-related secondary hypogonadism pre-replacement and post-replacement therapy with intra-muscular testosterone undecanoate therapy. Endocrine. 2018.
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  10. Dhindsa S, Ghanim H, Batra M, et al. Insulin Resistance and Inflammation in Hypogonadotropic Hypogonadism and Their Reduction After Testosterone Replacement in Men With Type 2 Diabetes. Diabetes Care. 2016;39(1):82-91.
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  21. Wajchenberg BL. beta-cell failure in diabetes and preservation by clinical treatment. Endocr Rev. 2007;28(2):187-218.

Saiba mais em

Diagnóstico

Os sintomas de hipogonadismo podem variar de acordo com a pessoa.

Terapia

A terapia de reposição de testosterona é caracterizada por uma larga margem de segurança e boa tolerabilidade.

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