Visão Geral

Atualmente, mais de
55% dos homens estão
acima do peso 1

Definição de Hipogonadismo

O hipogonadismo masculino é uma síndrome clínica resultante de uma falha dos testículos na produção de níveis fisiológicos de testosterona (deficiência de androgênio), de esperma, ou ambos, por causa da ruptura de um ou mais níveis do eixo hipotálamo-hipofisário-gonadal.2

O hipogonadismo pode ocorrer em homens de qualquer idade, entretanto, há um declínio gradual nos níveis de testosterona no homem conforme ele envelhece. O DAEM (Distúrbio Androgênico do Envelhecimento Masculino) é uma síndrome clínica e bioquímica associada ao avanço da idade e caracteriza-se pela presença de sinais e sintomas de hipogonadismo associado à deficiência nos níveis séricos de testosterona abaixo do intervalo de referência entre adultos jovens saudáveis do sexo masculino 10-35 nmol/L (300-1000 ng/dL).3,4

Ao contrário da diminuição claramente definida dos níveis hormonais associadas à menopausa feminina, a queda dos níveis de andrógenos com o avançar da idade nos homens é gradual e variável, e o termo “hipogonadismo tardio” é mais apropriado do que os termos coloquiais "menopausa masculina" ou "andropausa" para se referir à diminuição anual dos níveis de testosterona de 0,5% a 2%, o que ocorre com o avançar da idade, independentemente das condições crônicas associadas ao envelhecimento.5

Prevalência

Apesar de o hipogonadismo ser uma doença relativamente comum, a prevalência exata é incerta. No entanto, é claro que o hipogonadismo afeta uma proporção significativa da população masculina e é esperado que sua incidência aumente como resultado do envelhecimento da população, o aumento da expectativa de vida e aumento da prevalência de diabetes mellitus tipo 2, da síndrome metabólica, da obesidade e outros fatores de risco.

Usando a escala AMS (Aging Males’ Symptoms), a prevalência do hipogonadismo moderado a grave foi estimada em cerca de 20% em homens europeus com idade superior a 50 anos.6 Assim, na União Européia, cerca de 81 milhões de homens com 50 anos ou mais estão em risco de ter hipogonadismo.

A escala AMS (Aging Males’ Symptoms) é um questionário de auto avaliação de 17 pontos, projetado para ajudar a avaliar os sintomas da deficiência de testosterona e monitorar as mudanças relacionadas ao tratamento, se um diagnóstico de deficiência de testosterona for confirmado e a terapia de reposição de testosterona for iniciada.

Enquanto o hipogonadismo é definido com base em uma combinação dos níveis de testosterona e sinais e sintomas de acordo com as diretrizes atuais da ENDO SOCIETY 2, outros estudos de bases populacionais estimaram uma prevalência global em homens com idade de 30 anos ou mais de 5,6%, subindo para 18,4% na idade de 70 anos.7 Cerca de 40% dos homens com 45 anos ou mais (idade média de 60,5 anos, variação 45-96 anos) selecionados em serviços de saúde primários apresentaram hipogonadismo (definido como testosterona <300 ng/dL), com taxas significativamente mais altas em homens com hipertensão, dislipidemia, obesidade, diabetes, doença da próstata, asma ou doença pulmonar obstrutiva crônica.8 No entanto, apesar do hipogonadismo afetar uma porcentagem substancial da população masculina adulta, apenas uma pequena parte está sendo tratada e, segundo análise de outras sociedades médicas, a condição é provavelmente subdiagnosticada.9

Para ver todos os dados da tabela, mova para direita ou para esquerda
Tabela 1: Estimativas de homens na Europa em risco de hipogonadismo (números em milhões, estimativas feitas por volta de 2006).
Região Idade 50-64 Idade 65-79 Idade 80 +
União Européia 42,53 29,61 9,63
França 5,32 3,45 1,36
Alemanha 6,48 5,21 1,58
Irlanda 0,33 0,17 0,04
Itália 5,23 4,17 1,46
Espanha 3,44 3,25 1,23
Reino Unido 4,99 3,26 1,23
Referência: Carruthers M. The Aging Male 2009; 12(1):21-28

Como os homens são afetados pelo hipogonadismo?

O papel essencial da testosterona na saúde e bem-estar dos homens é bem definido. A testosterona é responsável pelas características sexuais masculinas típicas e é necessária para uma vida, física e psicologicamente saudável, mantendo e ativando a função erétil, libido e satisfação sexual de maneira geral. A testosterona também ajuda a manter a massa corporal e massa óssea, o humor positivo e energia física. Assim, as conseqüências do hipogonadismo para a saúde podem ser bastante amplas, e incluem fadiga, depressão, disfunção erétil, perda de libido, perda de pelos faciais e corporais, diminuição da massa muscular, desenvolvimento da ginecomastia e osteoporose.10

Baixos níveis de testosterona podem ser diagnosticados por uma avaliação dos sintomas e um exame laboratorial para medir os níveis séricos de testosterona. Se os testes confirmarem o hipogonadismo, uma gama de diferentes terapias de reposição de testosterona e apresentações está disponíveis para normalizar os níveis de testosterona.10

Qual é a importância de tratar o hipogonadismo?

Há ligações claramente estabelecidas entre o hipogonadismo e a depressão, risco cardiovascular, diabetes e síndrome metabólica, osteoporose e outras doenças crônicas.10

Valores baixos de testosterona também estão associados ao aumento da mortalidade, mesmo após o ajuste para idade, comorbidades e outras variáveis ​​clínicas.11

Reduced Survival in Men with Low Testosterone Levels
Figure: Redução da sobrevida em homens com deficiência de testosterona

A terapia de reposição de testosterona pode melhorar a libido, o humor, a massa corporal e a qualidade de vida e aumentar a densidade óssea em homens portadores de hipogonadismo. O tratamento também pode melhorar a resistência à insulina, reduzir a obesidade e melhorar outros fatores de risco para doença cardiovascular.12,13

O tratamento atual e controvérsias

A terapia de reposição de testosterona constitui o núcleo de tratamento para todos os tipos de hipogonadismo. Uma variedade de diferentes apresentações e dosagens de andrógenos estão disponíveis, incluindo injeções, géis, adesivos na pele e cápsulas, e o tratamento deve ser individualizado para atingir a meta de retornar a testosterona aos níveis fisiológicos.

O diagnóstico correto de hipogonadismo é essencial antes do início do tratamento. No entanto, o diagnóstico de hipogonadismo tem sido alvo de controvérsia, e há ainda discussão sobre os níveis limítrofes para determinar o hipogonadismo, a maneira ideal para medir os níveis de testosterona, e se a testosterona total, a testosterona livre ou a testosterona biodisponível são as frações de hormônios mais apropriadas para serem usadas na determinação do hipogonadismo. Em particular, a elevada prevalência dos sintomas do hipogonadismo na população masculina em envelhecimento, e a natureza não específica destes sintomas, pode dificultar o diagnóstico, e existe um consenso crescente que o hipogonadismo deve ser definido por uma combinação de baixos níveis de testosterona e a presença de um ou mais sinais ou sintomas do hipogonadismo.

As recomendações dos últimos consensos internacionais sobre o diagnóstico, tratamento e acompanhamento do hipogonadismo são descritos na seção “Diagnóstico”. A terapia de reposição de testosterona é geralmente associada à uma ampla margem de segurança e boa tolerabilidade. No entanto, como acontece com qualquer intervenção clínica, o início da terapia de reposição de testosterona deve ser realizado com um equilíbrio entre o saldo de risco versus benefício. No momento, estão disponíveis dados limitados sobre a segurança a longo prazo em homens idosos, e a discussão sobre se e quando deve-se tratar o hipogonadismo tardio continua. Se o diagnóstico de hipogonadismo é confirmado (sintomas e níveis de testosterona total entre 8-12 nmol/L [231-346 ng/dl]) e o paciente não tem contraindicações, a terapia de reposição de testosterona pode ser considerada.2,3

Referências

  1. http://www.abeso.org.br/noticia/quase-60-dos-brasileiros-estao-acima-do-peso-revela-pesquisa-do-ibge ; acessando em 10/01/2017.
  2. Bhasin S, Cunningham GR, Hayes FJ, et al. Testosterone therapy in adult men with androgen deficiency syndromes: an endocrine society clinical practice guideline. J Clin Endocrinol Metab 2006;91(6):1995-2010
  3. Wang, C., E. Nieschlag, R. Swerdoloff, et al. Investigation, treatment and monitoring of late-onset hypogonadism in males: ISA, ISSAM, EAU, EAA and ASA recommendations. Eur J Endocrinol 2008, 159(5): 507-514.
  4. Larsen P, Kronenburg H, Melmed S, et al. William's Textbook of endocrinology, reference values. Philadelphia, PA, USA: Saunders; 002
  5. Seftel AD. Male hypogonadism. Part I: Epidemiology of hypogonadism. Int J Impot Res 2006; 18(2): 115-20
  6. Heinemann LA. Aging Males' Symptoms scale: a standardized instrument for the practice. J Endocrinol Invest 2005; 28(11 Suppl Proceedings): 34-8
  7. Araujo AB, Esche GR, Kupelian V, et al. Prevalence of symptomatic androgen deficiency in men. J Clin Endocrinol Metab 2007; 92(11):4241-7
  8. Mulligan T, Frick MF, Zuraw QC, et al. Prevalence of hypogonadism in males aged at least 45 years: the HIM study. Int J Clin Pract 2006; 60(7): 762-9
  9. Liverman CT, Blazer DG, Editors. Testosterone and Aging: Clinical Research Directions. Washington, DC, USA: Institute of Medicine of the Nacional Academies; 2003 November 11, 2003.
  10. Consenso Latino-americano sobre DAEM, 2013 - 1a edição
  11. HACKETT G, HEALD AH, SINCLAIR A. JONES PW. STRANGE RC. RAMACHANDRAN S. SERUM TESTOSTERONE. TESTOSTERONE REPLACEMENTE THERAPY AND ALL-CAUSE MORTALITY IN MEN WITH TYPE 2 DIABETES: RETROSPECTIVE CONSIDERATION OF THE IMPACT OF PDES INHIBITORS AND STATINS. INT J CLIN PRACT. 2016 MAR;70(3):244-53.
  12. Saad F, Yassin A, Doros G, Haider A. Effects of longterm treatment with testosterone on weight and waist size in 411 hypogonadal men with obesity classes I-III: observational data from two registry studies. Int J Obes (Lond) 2016;40(1):162-70.
  13. Haider A et al. Men with testosterone deficiency and a history of cardiovascular diseases benefit from long-term testosterone therapy: observational, real-life data from a registry study. Vascular Health and Risk Management 2016:12 251–261

Saiba mais em

Diagnóstico

Os sintomas de hipogonadismo podem variar de acordo com a pessoa.

Terapia

A terapia de reposição de testosterona é caracterizada por uma larga margem de segurança e boa tolerabilidade.

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