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Perguntas mais frequentes sobre hipogonadismo

Quadro Clínico

O que é o hipogonadismo (deficiência de testosterona)?

De acordo com a definição, o hipogonadismo é a secreção inadequada de testosterona pelos testículos acompanhada de sintomas correspondentes. Ele pode ter diferentes causas e ser congênito ou adquirido. O hipogonadismo é chamado de primário, se a causa está nos testículos e secundário, se a causa está no hipotálamo ou na hipófise. Além disso, o hipogonadismo pode estar relacionado com a idade. Esta é normalmente uma forma mista de hipogonadismo, primário e secundário. Sabe-se que a testosterona sérica diminui com o avanço da idade, especialmente na presença de condições subjacentes, tais como os componentes da síndrome metabólica e doenças crônicas.

  • Em crianças e adolescentes, a deficiência androgênica normalmente é de origem genética ou tem causas congênitas. Ela é diagnosticada quando a puberdade é atrasada ou não ocorre.
  • O hipogonadismo no jovem adulto que aparece depois da puberdade, é geralmente adquirido (trauma testicular, caxumba, ou causado por doenças da hipófise, hipotalâmicas ou doenças gerais).2 Como os sintomas aparecem insidiosamente, esta forma de hipogonadismo não é diagnosticada até que seu desenvolvimento esteja avançado: às vezes não é reconhecida até que estejam sendo realizadas investigações  devido à infertilidade.
  • Em homens com mais de 40 anos, a deficiência de testosterona é na maioria dos casos, uma consequência da insuficiência da função testicular e/ou o controle hipotalâmico-pituitário. O processo e as consequências da deficiência hormonal em homens ocorrem gradualmente. Clinicamente, os sintomas englobam sinais heterogêneos e menos específicos e por esta razão muitas vezes não são reconhecidos imediatamente como sintomas de deficiência de testosterona.3
O hipogonadismo tardio (HT) realmente existe? Há evidências científicas?

As sociedades médicas internacionais: Associação Européia de Urologia (EAU), Sociedade Internacional para o Estudo do Envelhecimento Masculino (ISSAM), Sociedade Internacional de Andrologia (ISA), a Academia Européia de Andrologia (EAA) e Sociedade Americana de Andrologia (ASA) emitiram recomendações relativas à definição, investigação, tratamento e acompanhamento de homens com hipogonadismo tardio. Eles reconhecem e definem o hipogonadismo tardio como uma síndrome clínica e bioquímica associada ao avanço da idade, caracterizando-se por sintomas típicos acompanhado de deficiência nos níveis séricos de testosterona. Estas sociedades sugerem que o hipogonadismo tardio pode resultar em detrimento significativo na qualidade de vida e afetar negativamente a função de múltiplos órgãos e sistemas.4

As sociedades médicas EAU, ISSAM e ISA listaram os seguintes sintomas como queixas típicas que podem estar associadas com os baixos níveis de testosterona:

  • Diminuição do desejo sexual (libido), diminuição na frequência e qualidade das ereções e diminuição de ereções matinais,
  • Alterações de humor com diminuição concomitante da atividade intelectual, funções cognitivas, capacidade de orientação espacial, fadiga, humor deprimido e irritabilidade,
  • Distúrbios do sono,
  • Diminuição da massa magra do corpo associada à diminuição no volume e força muscular,
  • Aumento da gordura visceral,
  • Diminuição de pelos no corpo e alterações da pele, diminuição da densidade mineral óssea, resultando em osteopenia, osteoporose e aumento do risco de fraturas ósseas.

O diagnóstico e tratamento do hipogonadismo tardio também foram abordados pelas Diretrizes da Sociedade de Endocrinologia. Essas diretrizes reconhecem explicitamente a associação de HT com doenças crônicas, por exemplo, diabetes mellitus tipo 2.2

Quais são as mudanças relacionadas à idade na produção hormonal?

Os pacientes com hipogonadismo tardio (HT) apresentam sintomas que podem ser comparados ​​com os do hipogonadismo masculino clássico. Estes, muitas vezes incluem a perda da libido, disfunção erétil, perda de vigor e energia, fraqueza física, depressão e aumento de gordura visceral (medido pela circunferência abdominal).

Vários estudos (Massachusetts Male Aging Study, em 1991, Vermeulen Estudo em 1972) confirmaram que os níveis de testosterona diminuem com a idade, ou seja, a partir de 40 anos de idade, cerca de 1,2% ao ano. Entre 40 e 70 anos de idade, por conseguinte, um homem perde aproximadamente 35% da sua produção de testosterona diária normal.

Diagnóstico

Como a deficiência de testosterona é diagnosticada? (Quais avaliações? Ou quais exames?)

Se os sintomas de deficiência de testosterona estão presentes, o médico irá investigá-los utilizando vários procedimentos diagnósticos. Estes incluem:

  • História médica (pessoal e familiar)
  • Um exame físico geral
  • Exames laboratoriais, incluindo a determinação dos valores de testosterona
  • O exame da próstata. Todo homem com mais de 45 anos de idade deve ser regularmente avaliado para excluir a doença da próstata.

As sociedades médicas ISSAM, EAU, ISA, EAA e ASA4, sugerem que os parâmetros mais amplamente aceitos para determinar a presença de hipogonadismo são a determinação da testosterona total e cálculo da testosterona livre.

Dependendo dos resultados destes testes, os exames complementares podem ser necessários. Estes incluem um teste de densidade óssea por suspeita de osteoporose. Se o paciente quer ter filhos, mas até agora não teve sucesso, uma amostra do sêmen será examinada.

A concentração sérica matinal de testosterona de 346-1010 ng/dl é considerada normal. O tratamento com testosterona pode ser recomendado, se este valor for abaixo de 346 ng/dl.

Além disso, podem ser avaliadas as concentrações dos hormônios LH e FSH (gonadotrofinas). Eles fornecem informações se a deficiência de testosterona é devida a distúrbios da função testicular (hipogonadismo primário, gonadotrofinas elevadas) ou do sistema hipotálamo-hipofisário (hipogonadismo secundário, gonadotrofinas normais ou baixas). Também pode ser aconselhável medir a prolactina.

Qual é o intervalo de referência para definir o hipogonadismo masculino? Existe um intervalo ajustado por idade?

Há um consenso geral de que o nível de testosterona total acima de 12 nmol/L (350 ng/dL) não requer tratamento com testosterona.

Não há intervalos de referência ajustados à idade geralmente aceitos. Em geral, são esperados níveis séricos no limite da inferioridade para uma população idosa, uma vez que diminuição da produção de testosterona é um fenômeno normal no envelhecimento masculino. Um aumento no nível de LH pode indicar que o organismo tenta compensar a função testicular prejudicada, e que os baixos níveis séricos de testosterona podem ter alguma relevância clínica.

Os sintomas de hipogonadismo podem estar presentes mesmo com o nível de testosterona na faixa da normalidade?

Sim, isto é possível, por exemplo, se houver um defeito no receptor de testosterona. Isto significa que há testosterona suficiente no sangue, mas que não atinge o seu local de ação apropriado. Em tais casos, a administração de testosterona exógena pode ser ineficiente. Um defeito no receptor é, contudo um diagnóstico muito raro.

O nível de testosterona total normal com baixos níveis do hormônio biologicamente ativo (testosterona livre) é um achado muito comum em homens idosos. Em particular, os níveis de SHBG tendem a aumentar com a idade.

Se houver suspeita de aumento de SHBG, o paciente com níveis de testosterona limítrofes pode se beneficiar do tratamento. O médico deve decidir em conjunto com o paciente a prescrição do tratamento para investigar se a utilização a curto prazo de testosterona pode aliviar os sintomas. Este teste terapêutico pode ser justificado onde não há contraindicações para a terapia do andrógeno e o acompanhamento adequado é realizado de acordo com as diretrizes.4,5,

O tratamento com testosterona

O que acontece se o hipogonadismo não for tratado?

Se a deficiência de testosterona continuar durante um longo período, podem se desenvolver a osteoporose e anemia, além disso, a resistência e a massa muscular reduzida podem levar à fraqueza física intensa e a uma diminuição significativa do bem-estar. Mudanças negativas na composição corporal e no metabolismo podem continuar, com consequências desconhecidas para a saúde cardiovascular em longo prazo. Os pacientes continuarão a sofrer com a perda da libido, disfunção erétil e podendo desenvolver uma depressão grave.3

Há uma relação entre saúde geral e níveis de testosterona?

Muitas doenças sistêmicas (por exemplo: diabetes mellitus, síndrome metabólica) se correlacionam com níveis baixos de testosterona. Portanto, o hipogonadismo é um sinal que pode contribuir para um diagnóstico precoce de doenças subjacentes.

A testosterona tem efeito no coração?

Valores de testosterona normais não têm efeito negativo na saúde do coração. Estudos de longo prazo, mostram efeitos positivos da testosterona sobre os fatores de risco cardiovascular.6

O abuso de esteróides anabólicos androgênicos por atletas e fisiculturistas conferiu uma má reputação aos andrógenos. No entanto, não se deve esquecer que esses homens tomam doses suprafisiológicas em grande quantidade, frequentemente 100 vezes a dose recomendada.

O tratamento de testosterona e a próstata

Quais são os efeitos na próstata do tratamento com testosterona?

Não há correlação direta entre os níveis séricos de testosterona nos homens e o risco de desenvolver câncer de próstata. Não houve nenhuma evidência conclusiva de que os níveis de testosterona são mais elevados nos homens que desenvolvem câncer de próstata do que níveis no controle. Enquanto alguns estudos ainda sugerem que homens com baixos níveis de testosterona estão em maior risco de desenvolver a doença mais agressiva.7

A administração de testosterona não causa carcinoma da próstata. No entanto, o carcinoma da próstata é um tumor dependente de hormônios sexuais e, por conseguinte, um tumor pré-existente pode ter seu crescimento estimulado. Qualquer produto de testosterona é, portanto, estritamente contraindicado em pacientes com carcinoma da próstata diagnosticados.

O exame de toque retal e a dosagem de PSA são obrigatórios de acordo com as recomendações da ISSAM, EAU, ISA, EAA e ASA em homens com idade acima de 45 anos, como medidas básicas para a saúde da próstata.4

  • Antes da terapia com testosterona
  • Em 3 -6 meses e aos 12 meses
  • Pelo menos anualmente, posteriormente
Por que é importante monitorar os marcadores de doença de próstata?

Como o carcinoma da próstata pode ser curável se diagnosticado precocemente, é aconselhável que todos os homens acima de 45 anos passem por procedimentos de triagem regulares. Como a testosterona pode promover o crescimento de um carcinoma da próstata pré-existente, o monitoramento regular é necessário durante o tratamento com testosterona, a fim de diagnosticar todos os casos em que isso possa ocorrer. Na década passada, o rastreio generalizado de PSA aumentou a incidência de diagnósticos de carcinoma da próstata numa fase precoce e tratável da doença.

Existe correlação entre o tratamento com testosterona e o câncer de próstata?

Após o tratamento de longo prazo com testosterona em homens com hipogonadismo , não houve evidência de que estes apresentem um risco maior oriundos da terapia de reposição de testosterona do que nos homens saudáveis. A testosterona está amplamente disponível e prescrita para homens com hipogonadismo há mais de 60 anos e nenhum sinal cancerígeno surgiu ainda.7 A metanálise de estudos clínicos controlados com placebo em mais de 1.000 homens idosos revelaram igualmente, a baixa incidência de câncer de próstata no grupo tratado com testosterona e no grupo do placebo.8

Níveis de testosterona baixos estão associados ao câncer de próstata?

É certamente notável que os níveis de testosterona são geralmente baixos quando o carcinoma da próstata é diagnosticado. Além disso, o câncer da próstata de alto grau que tem sido associado aos baixos níveis plasmáticos de testosterona aparece muito cedo, no entanto, para estabelecer qualquer relação causal. Os baixos níveis de testosterona podem também ser interpretados como um resultado da doença subjacente. É conhecido que os níveis de testosterona diminuem como resultado de uma doença ou stress.

O tratamento com testosterona e monitoramento de segurança

Como deve ser o acompanhamento do paciente?

As recomendações da ISSAM, EAU, ISA, EAA e ASA sobre a investigação, tratamento e acompanhamento do hipogonadismo tardio em homens recomendam os seguintes “check-ups” periódicos durante a terapia com testosterona:4

  • Após o início da terapia com testosterona o monitoramento para a doença de próstata deve ser feito em 3 a 6 meses, depois 12 meses e, em seguida, pelo menos anualmente.
  • A policitemia ocasionalmente se desenvolve durante o tratamento com testosterona. Portanto, a avaliação hematológica periódica é indicada, ou seja, antes do tratamento, depois de 3-4 e 12 meses no primeiro ano e depois anualmente. Podem ser necessários ajustes da dose em caso de elevação do hematócrito  e/ou hemoglobina. O número de glóbulos vermelhos também fornece informações sobre anemia, que é um sintoma de deficiência de testosterona. A anemia pode melhorar rapidamente com o tratamento com testosterona de modo que os glóbulos vermelhos do sangue são bons indicadores do sucesso da terapia. Pelo contrário, uma contagem muito alta de glóbulos vermelhos, deve ser também monitorada.
  • A melhoria nos sinais e sintomas da deficiência de testosterona deve ser notada e a falta dela ao beneficiar as manifestações clínicas deve resultar em interrupção do tratamento. Maiores investigações para encontrar outras causas, são então, obrigatórias.
  • A densidade óssea aumenta durante a  reposição de testosterona e as taxas de fratura podem ser reduzidas. Assim, a avaliação da densidade óssea em intervalos de dois anos pode ser aconselhável (se disponível e acessível).

Referências

  1. http://www.abeso.org.br/noticia/quase-60-dos-brasileiros-estao-acima-do-peso-revela-pesquisa-do-ibge; acessado em 10/01/2017
  2. Bhasin S, Cunningham GR, Hayes FJ, Matsumoto AM, Snyder PJ, Swerdloff RS, Montori VM. J Clin Endocrinol Metab 2006; 91:1995-2010.
  3. Jockenhovel Fand Schubert M: Male Hypogonadism, 2nd edition. UNI-MED Veriag Bremen 2007.
  4. Wang C, Nieschlag E, Swerdloff R, Behre HM, Hellstrom WJ, Gooren LJ, Kaufman JM, Legros JJ, Lunenfeld B, Morales A, Morley JE, Schulman C, Thompson IM, Weidner W, Wu FCW: Investigation, Treatment and Monitor-ing of Late-Onset Hypogonadism in Males - ISA, ISSAM, EAU, EAA and ASA Recommendations. Aging Male 2008; in print (published online Sept. 2, 2008). Eur Urol 2008, in print
  5. Wang C: Europ Urol 2007; Suppl. 6:862-867
  6. Sharma R, et al. Normalization of testosterone level is associated with reduced incidence of myocardial infarction and mortality in men. European Heart Journal 2015; 2706-2715.
  7. Gould DC, Kirby RS: Testosterone replacement therapy for late-onset hypogonadism: what is the risk of induc-ing prostate cancer?; Prostate 2005; 1:1-5
  8. Calof OM et al. Adverse events associated with testosterone replacement in middle-aged and older men: a meta-analysis of randomized, placebo-controlled trials. J Gerontol Med Sci 2005; 60A(11):1451-1457
  9. Gould DC, Kirby RS: Testosterone replacement therapy for late-onset hypogonadism: what is the risk of induc-ing prostate cancer?; Prostate 2005; 1: 1-5
  10. Wang C, Nieschlag E, Swerdloff R, Behre HM, Hellstrom WJ, Gooren LJ, Kaufman JM, Legros JJ, Lunenfeld B, Morales A, Morley JE, Schulman C, ,Thompson IM, Weidner W, Wu FCW: Investigation, Treatment and Monitor-ing of Late-Onset Hypogonadism in Males – ISA, ISSAM, EAU, EAA, and ASA Recommendations. Aging Male 2008; in print (published online Sept. 2, 2008). Eur Urol 2008, in print
  11. Gould DC, Kirby RS: Testosterone replacement therapy for late-onset hypogonadism: what is the risk of induc-ing prostate cancer?; Prostate 2005; 1: 1-5
  12. Calof OM et al. Adverse events associated with testosterone replacement in middle-aged and older men: a meta-analysis of randomized, placebo-controlled trials. J Gerontol Med Sci 2005; 60A(11): 1451-1457
  13. Wang C, Nieschlag E, Swerdloff R, Behre HM, Hellstrom WJ, Gooren LJ, Kaufman JM, Legros JJ, Lunenfeld B, Morales A, Morley JE, Schulman C, ,Thompson IM, Weidner W, Wu FCW: Investigation, Treatment and Monitor-ing of Late-Onset Hypogonadism in Males – ISA, ISSAM, EAU, EAA, and ASA Recommendations. Aging Male 2008; in print (published online Sept. 2, 2008). Eur Urol 2008, in print
  14. http://www.abeso.org.br/noticia/quase-60-dos-brasileiros-estao-acima-do-peso-revela-pesquisa-do-ibge; acessado em 10/01/2017.
  15. SHARMA R, ET AL. NORMALIZATION OF TESTOSTERONE LEVEL IS ASSOCIATED WITH REDUCED INCIDENCE OF MYOCARDIAL INFARCTION AND MORTALITY IN MEN. EUROPEAN HEART JOURNAL 2015; 2706-2715.

Saiba mais em

Diagnóstico

Os sintomas de hipogonadismo podem variar de acordo com a pessoa.

Terapia

A terapia de reposição de testosterona é caracterizada por uma larga margem de segurança e boa tolerabilidade.

Seus Pacientes

Informações úteis para médicos e seus pacientes.