Etiologia

Atualmente, mais de
55% dos homens estão
acima do peso 1

Etiologia do hipogonadismo

O hipogonadismo masculino é caracterizado por uma deficiência da produção endógena de testosterona que resulta em níveis anormalmente baixos de testosterona circulante. O hipogonadismo pode ser causado por uma série de distúrbios, sendo os mais freqüentemente observados: o hipogonadismo hipogonadotrófico idiopático, hipopituitarismo, Síndrome de Klinefelter e o hipogonadismo tardio. A maioria da testosterona circulante (98%) está ligada às proteínas, com aproximadamente 60% ​​ligado à globulina ligadora de hormônios sexuais (SHBG), e 38% fracamente ligados e transportados pela albumina.2 Apenas 2% da testosterona circulante está livre e, portanto, biologicamente ativa. Diversas linhas de evidência sugerem que não só a testosterona livre, mas também a testosterona ligada à albumina está disponível para os tecidos alvo, no caso de um aumento da necessidade de testosterona. Portanto, a testosterona não ligada à SHBG é chamada de "testosterona biodisponível".

Hipogonadismo primário e secundárioExistem dois tipos principais de hipogonadismo:

Hipogonadismo primário

É caracterizado por baixos níveis de testosterona, diminuição da espermatogênese, e níveis elevados de gonadotrofinas, o que pode ser devido a uma causa genética (e.g. Síndrome de Klinefelter) ou a danos aos testículos (como lesões ou infecção).3

Hipogonadismo secundário

É caracterizado por baixos níveis de testosterona, em associação com níveis de gonadotrofinas baixos ou pouco baixos e podem resultar de condições, tais como a Síndrome de Kallmann, caracterizada pela produção insuficiente do hormônio liberador de gonadotrofina pelo hipotálamo, levando a uma deficiência na produção de hormônio luteinizante e do hormônio folículo-estimulante pela hipófise.3

Hipogonadismo tardio (HT)

O hipogonadismo tardio está associado com o avanço da idade e caracteriza-se por baixos níveis de testosterona (abaixo do intervalo de referência de jovens-adultos saudáveis do sexo masculino) e sintomas.4 Algum declínio no nível de testosterona é normal com a idade, devido à diminuição da função dos testículos e do sistema hipotalâmico-pituitário (Figura 1). Portanto, o HT é uma mistura entre hipogonadismo primário e secundário. No entanto, o hipogonadismo tardio pode levar a uma diminuição significativa na qualidade de vida e pode afetar negativamente vários sistemas e órgãos. Cerca de 34% dos homens com idade entre 45 e 54 anos possuem níveis de testosterona total abaixo da faixa fisiológica para os homens mais jovens, chegando a 40% em homens com idades entre 55 a 74 anos, 45,5% entre os homens com idade entre 75 a 84 anos, e 50,0% em homens com 85 anos ou mais.5

Declínio relacionado à idade na função testicular

Figure 1: Declínio relacionado à idade na função testicular
Além disso, a resistência de órgãos-alvo (resistência androgênica) é uma forma rara de hipogonadismo, geralmente resultante de um defeito genético no receptor de andrógeno. Apesar dos altos níveis de testosterona, os órgãos-alvo podem não responder à testosterona disponível. A classificação do hipogonadismo é resumida na Figura 2.

Classificação do hipogonadismo
Figura 2 adaptada das referências 6,7

Fatores de risco para baixos níveis de testosterona

Muitas doenças sistêmicas (por exemplo, diabetes mellitus, síndrome metabólica, doença arterial coronariana, doença hepática, doença pulmonar obstrutiva crônica, artrite reumatóide e outras condições inflamatórias e infecções generalizadas) se correlacionam com níveis baixos de testosterona. 2-4,8-12 Portanto, sinais ou sintomas de hipogonadismo podem ser uma indicação precoce que leva ao diagnóstico de uma doença subjacente. Além disso, a obesidade, lesões dos testículos, fatores genéticos e o envelhecimento normal podem contribuir para o hipogonadismo.2,8 Embora muitos dos fatores de risco para baixos níveis de testosterona não sejam modificáveis, melhorar a dieta, moderar o consumo de álcool, perder peso e reduzir o estresse podem ser úteis para homens que querem reduzir o risco de hipogonadismo.

Referências

  1. http://www.abeso.org.br/noticia/quase-60-dos-brasileiros-estao-acima-do-peso-revela-pesquisa-do-ibge; acessado em 10/01/2017.
  2. Jockenhovel F, Schubert M. Male Hypogonadism. 3rd edition. Bremen: UNI-MED Science; 2009
  3. Bhasin S, Cunningham GR, Hayes FJ, et al. Testosterone therapy in adult men with androgen deficiency syndromes: an endocrine society clinical practice guideline. J Clin Endocrinol Metab 2006; 91(6): 1995-2010
  4. Wang, C. E. Nieschlag, R. Swerdloff, et al. Investigation, treatment and monitoring of late-onset hypogonadism in males: ISA, ISSAM, EAU, EAA and ASA recommendations. Eur J Endocrinol 2008, 159(5): 507-514.
  5. Mulligan T, Frick MF, Zuraw QC, et al. Prevalence of hypogonadism in males aged at least 45 years: the HIM study; Int J Clin Pract 2006; 60(7):762-9
  6. Nieschlag E, Behre HM, Nieschlag S. Testosterone: Action, Deficiency, Substitution. 4th ed: Cambridge University Press; 2012.
  7. Zitzmann M, Nieschlag E. [Hypogonadism in the elderly man. Reliable diagnosis and therapy]. Internist (Berl). 2003;44(10):1313–21
  8. Tung DS, Cunningham GR. Androgen deficiency in men. The Endocrinologist 2007; 17(2):101-115
  9. Stanworth RD, Jones TH. Testosterone for the aging male; current evidence and recommended practice. Clin Internv Aging 2008; 3(1):25-44
  10. Traish AM, Guay A, Feeley R, et al. The dark side of testosterone deficiency: I. Metabolic syndrome and erectile dysfunction. J Androl 2009; 30(1): 10-22
  11. Traish AM, Saad F, Guay A. The dark side of testerone deficiency: II. Type 2 diabetes and insulin resistance. J Androl 2009; 30(1):23-32
  12. Traish AM, Saad F, Feeley RJ, et al. The dark side of testosterone deficiency: III; Cardiovascular disease. J Androl 2009; 30(5):477-94

Saiba mais em

Diagnóstico

Os sintomas de hipogonadismo podem variar de acordo com a pessoa.

Terapia

A terapia de reposição de testosterona é caracterizada por uma larga margem de segurança e boa tolerabilidade.

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